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 Texto 16 

Um olhar brasileiro no drama norte-americano

O ano mal havia começado e fomos surpreendidos pela notícia de que Adolpho Veloso foi o vencedor da categoria Melhor Fotografia do “Critics Choice Awards 2026” por seu trabalho na engenharia visual do longa "Sonhos de Trem" (Netflix, 2025, Dir. Clint Bentley), concorrendo com outros figurões da indústria.


Árvores caem em cascata em direção a um horizonte que se desvanece, o crepúsculo é filtrado pelas silhuetas irregulares de pinheiros centenários e uma casa de madeira ruge sob um furacão de chamas. Estas são as imagens impactantes que o diretor de fotografia traz à vida no filme sobre a vida de um lenhador comum. A trama se passa em meio às vastas florestas do noroeste norte-americano no início do século XX e no contexto da construção de ferrovias como símbolo da chegada do processo civilizatório na região. O filme contrasta a imensidão do ambiente com a fragilidade das pessoas fazendo a natureza participar como um personagem.


“Sonhos de Trem” está, em última análise, enraizado na vida humana e Veloso concentra-se nos rostos marcados pelo tempo de homens e mulheres que se aventuraram para construir sua história à beira do desconhecido. Em contraste com as paisagens deslumbrantes, a câmera costuma, insistentemente, aproximar-se das faces dos personagens para voltar a mostrar a o ambiente selvagem. Diz o diretor de fotografia: “Quando você corta para um plano geral, onde você vê a natureza em sua majestade, você percebe o quão pequenos somos.” Para retratar as dificuldades e a dignidade de histórias vividas em condições tão adversas, Veloso buscou inspiração na fotografia documental de Dorothea Lange e suas imagens sobre a Grande Depressão da década de 1930.

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Imagem nº 1

As escolhas buscam fazer do filme parecer uma pessoa revisitando suas próprias memórias como se fossem fotografias achadas em uma caixa antiga. É como fazer um álbum de fotos ganhar vida por meio da narrativa, do movimento e do som. O uso quase que exclusivo de luz natural remete à essa coleção de imagens pessoais e a escolha da proporção do quadro (3:2) alinha-se às proporções das fotos da época.  

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Imagem nº 2

O contra-luz domina as escolhas de composição e explora a capacidade das lentes de criar “flares” impactantes. A colorização do filme (também do brasileiro Sérgio Pasqualino) é uma "arte dentro da arte". Para as situações amenas, destaque para as luzes quentes, retratando o afeto, a presença humana e o conforto psicológico, como nas imagens 1 e 2.

Para o isolamento e a saudade da família, o predomínio do azul, como na imagem nº 3.

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Imagem nº 3

E para momentos de crise e dúvida, as cenas são descoloridas, como na imagem nº 4.

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Imagem nº 4

Fontes de imagens e de pesquisa:

https://www.netflix.com/tudum/articles/train-dreams-cinematography-score-sound
https://www.youtube.com/watch?v=a0kXVd8vGeQ
https://www.youtube.com/watch?v=2aGPor-dvSA

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